Vale d'Assega

Experiências de um Apicultor

Desdobramentos

No final do ano  2013 decidi fazer mais uma experiência. Foi assim que, no inicio do mês de Janeiro, coloquei uma alça com quadros não puxados sobre o ninho da colónia mais forte que possuia, com uma rainha nova. Como chovia ainda imenso, utilisei para ‘selar’ a separação das duas alças, silicone resistente a água. Assim, sempre que precisava vistoriar o ninho, cortava o silicone e, depois da vistoria efectuada, voltava a ‘selar’ novamente. Depois disso, todas as semanas lhe fornecia alimento. Como se encontra muito próxima de duas nespereiras em flor não tive que preocupar-me com a provisão de polén.

Faz duas semanas, fiz o meu primeiro desdobramento do ano 2014 a partir dessa colónia ao mesmo tempo que colocava duas meias-alças sobre o ninho e uma meia-alça sobre a colónia resultante do desdobramento. No inicio desta semana visitei as duas colónias. A meia-alça sobre o ninho da primeira tinha já alguns quadros puxados e dois deles começavam a ser ocupados com mel. Na colónia resultante do desdobramento a meia-alça ainda não tinha começado a ser puxada. Atribuo isso ao facto de se encontrar ainda sem rainha, pois a nova colónia, encontrava-se repleta de abelhas e criação por nascer, no momento do desdobramento.

Ainda no inicio desta semana, fiz o meu segundo desdobramento do ano, desta vez com uma colónia que tinha ‘preparado’ para o efeito, pelo mesmo método, há cerca de um mês, embora a quantidade de abelhas fosse menor, tanto na colónia mãe como na colónia filha.

A nova rainha, assim como todas as que criei na mesma altura, e que coloquei em nucleóleos para serem fecundadas,  nasceu, pelas minhas contas, antes de ontem, Sábado. Aguardo com ansiedade que o tempo melhore, que tenhamos pelo menos um ou dois dias de Sol, para que todas elas sejam fecundadas antes de as mudar para as colónias que precisam de uma rainha nova.

Final de ano apicola

Terminado, para mim, o ano apicola, é agora tempo de fazer um balanço.

Novo enxame entrando num núcleo, utilizado aqui como caça-enxames.

Novo enxame entrando num núcleo, utilizado aqui como caça-enxames.

Detalhe do enxame entrando no núcleo. Na tábua de voo, podem ver-se algumas abelhas, cabeça voltada para a entrada, batendo as asas, espalhando assim o feromona particular do enxame, convidando todas as abelhas a entrar no núclo onde, neste momento, já se encontra a raínha.

Detalhe do enxame entrando no núcleo. Na tábua de voo, podem ver-se algumas abelhas, cabeça voltada para a entrada, batendo as asas, espalhando assim o feromona particular do enxame, convidando todas as abelhas a entrar no núclo onde, neste momento, já se encontra a raínha.

1 – este ano, entre enxames apanhados devido a enxameação e desdobramentos efectuados, consegui duplicar o numero das colónias.

2 – de todas as colónias criadas este ano,  apenas duas necessitam de ajuda para sobreviver, todas as outras encontrando-se repletas de abelhas, com bastante alimento,

3 – o cortiço que este ano decidi instalar no Apiário da Assega, nos finais do mês de Junho, encontra-se fraco, tem abelhas mas pouco alimento e á muito tempo que não produzem cera. Comecei a alimenta-lo semanalmente, com o intuito de estimular a rainha a por ovos necessarios ao nascimento de novas abelhas, produtoras de cera.

4 – o calor que se fez, e continua a fazer sentir, destruiui-me quatro meias alças repletas de mel e matou mais de metade das abelhas das duas colonias a que pertenciam, Tratando-se de colmeias lusitanas, a quantidade de abelhas que possuia, permitiu a sobrevivencia das colonias. Esta experiencia fez-me reflectir sobre as condições climatéricas no nosso país e começei já a estudar um meio de proteger as abelhas do calor do Verão e ao, mesmo tempo, da chuva do Inverno/Primavera.

5 – a produçao de mel, apesar de tudo não foi má, e o mel é de boa qualidade, doce e muito puro.

O mel produzido este ano é puro, doce, e vale cada gota de suor por ele vertido.

O mel produzido este ano é puro, doce, e vale cada gota de suor por ele vertido.

Um dos nucleóleos utilizado por mim para a fecundação de raínhas.

Um dos nucleóleos utilizado por mim para a fecundação de raínhas.

 

 

 

 

Chegou agora o momento de iniciar os preparativos para o novo ano apicola que se apróxima.

Necessidades!

Foram, este ano, efectuados alguns desdobramentos de colónias mais populosas para núcleos. Não vou aqui explicar o método utilizado nos desdobramentos (deixo para mais tarde um post sobre um método por mim utilizado, que me permitiu obter alguns quadros de mel, ao mesmo tempo que ‘trabalhava’ os desdobramentos), mas apenas falar de mais um utensilio que ‘construimos’,  pela necessidade que tivemos de transformar um núcleo lusitano em núcleo reversivel.

Trata-se de uma placa de madeira, retangular, com as medidas interiores do núcleo, ao qual adicionamos duas ripas, com o objectivo de preencher a diferença, em altura, que define os dois núcleos.

Este utensilio aplica-se no fundo do núcleo, um recorte no mesmo permitindo a entrada das abelhas pelo alvado.

Não tendo fotos do utensilio, neste momento, pois os três que ‘construimos’ encontram-se ocupados, adicioná-las-ei mais tarde a este post.

Glossário E

Enxame – Também conhecido como Colónia é um agrupamento de abelhas que integram a colmeia. É geralmente constituído por uma rainha, entre 15 a 80 mil operárias e, numa dada época do ano, aproximadamente 400 a 600 zangãos.

Enxameação – Migração natural das abelhas, por parte de alguns indivíduos e da rainha (divisão da colmeia) ou por todo o enxame (abandono da colmeia) e tem por objetivo a preservação da espécie.

Glossário D

Glossário C

Colmeia – Pode designar uma colónia de abelhas ou o abrigo onde vive uma colónia de abelhas.

Colónia – Também conhecido como Enxame é um agrupamento de abelhas pertencentes á mesma colmeia. É geralmente constituído por uma rainha, entre 15 a 80 mil operárias e, aproximadamente, 400 a 600 zangãos.

Glossário B

Glossário A

Apicultura – atividade de criação de abelhas denominada Apis mellifera.

Apiário – conjunto de colmeias utilizadas para criação de abelhas.

Apis melífera – Também conhecida como abelha-europeia  é uma abelha social, de origem europeia, cujas operárias tem um comprimento de 12 mm a 15 mm, a rainha 20 mm e os zangãos 18 mm.

Abelha – Nome dado aos indivíduos do reino Animalia, pertencentes á classe de Insecta,  da odem dos Hymenoptera, da superfamília dos Apoidea, do subgrupo Anthophila, sendo os parentes mais próximos a vespa e a formiga.

Alvado – Orifício da colmeia, situado no Ninho, por onde entram as abelhas. É geralmente protegido por uma Régua.

Alvéolo – Cada uma das cavidades, em formato hexagonal, que formam o favo. É utilizado pela rainha para depositar os ovos. É também utilizado pelas abelhas para depositar os alimentos (mel e pólen), necessários á sobrevivência da colónia.

Caça-Enxames

Com a aproximação da Primavera, uma das questões que começamos a pensar, foi a enxameação e os enxames que teremos a eventual oportunidade de apanhar. Foi para esse efeito que construímos caça-enxames como o que mostramos nas fotos abaixo:

Imagem

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De construção mais simples que os núcleos, levam até cinco quadros de colmeia reversível, podendo assim ser também utilizados como núcleo.

Como curiosidade, conheço um apicultor da região de Vila Franca de Xira, que afirmou ter apanhado a semana passada um enxame que havia enxameado de uma das suas colmeias.

Entretanto começamos também a preparar as meias alças com os respetivos quadros, pois verificamos ter algumas colónias, quer pela quantidade de abelhas, quer pelo ninho repleto de alimento e criação, necessitando já que lhes seja adicionada uma meia alça. Ficamos apenas a aguardar o fim da chuva e do vento que se fazem sentir e que, segundo os entendidos em meteorologia, vai continuar até, pelo menos, dia 23 de Março.

Padiola para transporte de colmeias

Alguns meses atrás, por estarem a ser vítimas de ataque, mudamos as colónias do apiário A para o apiário C. Nesse dia, constatamos o quão difícil era transportar, em braços, uma colmeia por uma encosta acima, numa distância superior a 100 metros.

Foi então que pensamos na padiola utilizada aquando da instalação das primeiras colónias no apiário da Assega e que pertencia ao apicultor a quem as havíamos comprado. Decidimos fazer um modelo idêntico por ser fácil de construir e bastante prático.

Foi assim que nasceu o protótipo apresentado nas fotos abaixo, em tubo galvanizado:

 padiola fechada, para ocupar menos espaço

Padiola fechada, para ocupar menos espaço

Modo de utilização da padiola

Modo de utilização da padiola. A colmeia, reversivel, foi também construida por nós.

Quando do transporte das colónias para instalação no apiário A, aconteceu-nos que uma das colónias (1-A) escorregou, o que provocou a queda da mesma no chão originando, provavelmente, a morte da rainha de que falei no post da época. Para evitar acidentes do género, decidimos revestir as barras transversais (as que apertam contra a colmeia) com tubo de borracha.

Três semanas atrás, decidindo mudar as colónias 1-A, 2-A, 4-A e 5-A, do apiário C para o apiário A tivemos a oportunidade de testar a padiola. A ideia do tubo de borracha foi decididamente uma boa ideia. Ao apertar contra a colmeia não a deixa escorregar, evitando assim acidentes como o que tivemos anteriormente.

Se a vamos melhorar? Talvez um dia sintamos a necessidade de fazê-lo. Por enquanto, em razão da utilização ocasional que lhe damos, ainda não sentimos essa necessidade.

Experiências de um Apicultor

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