Vale d'Assega

Experiências de um Apicultor

Marcação de rainha

Procedi hoje à primeira marcação de rainha e, devo dizer, foi toda uma aventura.

Usei para primeira experiência a rainha do núcleo R-1, aquele que contém o enxame encontrado no cortiço que tinha deixado abandonado e do qual falei num post anterior, porque é tão pequeno – pouco mais de duas centenas de abelhas, atualmente – que sei tratar-se de uma segunda ou mesmo terceira garfa, o que me indica que a rainha é nova, nascida este ano, podendo desta forma ser marcada de amarelo, cor correspondente ao ano de 2012. Por outro lado, e também devido à pouca quantidade de abelhas, não é difícil descobrir a rainha e, mesmo que venha a perdê-la devido a uma má manipulação da minha parte, posso sempre juntar as abelhas a outra colónia. Sei também que é uma rainha fecundada, uma vez que o núcleo tem um quadro com criação.

Utilizei para apanhar a rainha uma pinça marcadora de rainhas, com o intuito de não a magoar, o que poderia levar à rejeição, e morte da mesma, pela colónia. Como apanhei junto com ela algumas abelhas, esperei para que estas saissem do interior da pinça.

Normalmente o espaço existente na abertura da pinça permite apenas a saída de abelhas e não a saída da rainha mas, ou porque a pinça estava mal fechada ou por qualquer outro motivo, a rainha passou e… voou!

Vi-a descrever alguns círculos erráticos por cima da colmeia e, depois, desaparecer ao longe. Tinha perdido uma rainha jovem, da qual não podia prescindir, pela quantidade de abelhas que continha o enxame.

Esperei junto ao núcleo, ponderando todas as hipoteses que tinha para salvar a situação, ao mesmo tempo que controlava todas as entradas de abelhas, na esperança de ver a rainha voltar… e voltou.

Voltou mas não entrou no núcleo. Veio pousar em mim, à altura do meu joelho. Talvez o branco do macaco de apicultor, ou o odor a mel, cera e outros produtos apícolas, acumulados ao longo da utilização desse, a tenham atraído. Tirei a luva e apanhei-a com cuidado, procurando não a magoar, e introduzi­-a no núcleo. Isto é, quis introduzi-la no núcleo, porque com a precipitação, deixei-a fugir de novo.

Fugiu, para vir pousar num ramo do pequeno sobreiro, por cima do núcleo. Voltei a apanha-la, desta vez consegui introduzi-la diretamente no cilindro marcador de rainhas e marca-la com a caneta marcadora de rainhas.

Ao coloca-la de novo no núcleo verifiquei a aceitação desta pelas abelhas e, não tendo detetado nenhuma reação hostil no comportamento destas, dei a marcação por terminada.

Desta experiencia conclui:

- Manipular sempre as rainhas com o maior dos cuidados, tudo pode acontecer, até o menos esperado.

- Caso a rainha fuja, não perder a calma, esperar pacientemente e observar atentamente se ela não vem pousar perto da colónia. Há fortes possibilidades que a rainha volte para junto da colmeia.

Nucleo R-1 no momento em que algumas das poucas abelhas que o compõem se preparavam a entrar pela primeira vez no seu interior, depois de ter passado o enxame do cortiço para o núcleo.

Seria interessante saber se a rainha regressa à colmeia ou se as abelhas abandonam e se juntam à rainha. Mais um teste a fazer, mesmo correndo o risco de perder um enxame.

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